janeiro 20, 2006

Conselhos

Comprei para oferecer uma agenda - O diário de Drucker. Peter Drucker é considerado o pai da Gestão. A agenda tem para cada dia uns dos seus pensamentos julgo que retirados das suas obras e artigos.Depois termina com sugestões para o dia. O do dia de ontem é interessante, diz:
"Para o indivíduo não existe uma sociedade se não tiver um estatuto e uma função social. Tem de haver uma relação funcional definida entre a vida individual e a vida em grupo. Para o indivíduo sem função e sem estatuto, a sociedade é irracional, incalculável e desconfigurada. O indivíduo "desenraizado", o banido - uma vez que a ausência de função social e de estatuto retira o homem da sociedade dos seus pares - não "vê" qualquer sociedade. Ele apenas enfrenta as forças demoníacas, metade sensíveis, metade desprovidas de significado, metade à luz do dia e metade na obscuridade, mas nunca previsíveis. Essas forças decidem sobre a sua vida e os seus meios de subsistência, sem que possa interferir, na verdade sem que possa sequer compreender essas decisões. É como um homem de olhos vendados numa sala estranha, que participa num jogo em relação ao qual não sabe as regras."
A sugestão da acção para o dia: Arrange tempo para se aproximar de alguém "desenraizado" que possa estar desempregado ou aposentado. Dê-lhe uma palavra de apoio ou leve-o a almoçar.

janeiro 15, 2006

Cada vez mais pobres


Portugal, segundo dados da Eurostat, é o país em que é maior a desigualdade entre os 20% mais ricos da população e os 20% mais pobres. A razão é de 7,4. Temos também a maior taxa de abandono escolar - 38,6% e uma das maiores percentagens de crianças pobres - 15,6%.

janeiro 11, 2006

Campanhas

Estou a ouvir o tempo de antena na SIC! Imagine-se! Umas "celebridades" desfilaram por cada candidato. Soares falou de igualdade, nomeadamente sexual. Cavaco falou da incerteza do primeiro emprego para os jovens, do futuro dos nossos filhos ao som da música "Portugal maior". Apareceram uns jovens das telenovelas da TVI,um deles afirmou pertencer à geração Cavaco,pois tudo o que se lembra de bom neste país foi feito por ele, outros afirmaram que é sinónimo de prosperidade e felicidade e que ele é audaz, capaz e competente. Louçã centrou-se no Cavaco "o político que seca tudo à sua volta como um eucalipto" (Cadilhe),foi interessante, a lembrar imagens do reinado de Cavaco - que parece esquecido. Com Louçã rigor e solidariedade. Jerónimo, o direito à esperança, falou sobre a política de direita do governo e os ataques aos direitos dos trabalhadores. Lembrou que Cavaco mente e não está inocente; votar em Jerónimo é votar em si próprio. Alegre acredita na força da cidadania contra o desalento, acredita num Portugal sem desigualdade, sem pobreza, sem injustiça. Os seus apoiantes salientaram a poesia política, o aspecto humanista e cultural da sua candidatura.
Tudo sem novidade como era de esperar...

janeiro 08, 2006

Grito


Tenho andado sem vontade de escrever: porque começou um novo ano que me parece sem esperança de ser melhor que o passado. Este comentário é ridículo pois apenas mudei de calendário. Mas embora seja pessimista tenho transmitido às pessoas amigas uma imagem contrária, pelo menos não vivo acabrunhada com o futuro e gozo com ele.
Estive a arrumar papéis, recortes de jornais e revistas. Desde 98 - só tenho a partir daí, os mais antigos já foram para a reciclagem - que há uma constante: os alunos não sabem matemática, não sabem fazer "contas", não entendem os enuniados dos problemas... Cada vez estamos pior situados nas médias europeias. Será possível que nada seja feito? Será que eu também estou a contribuir para isso? Por vezes sinto-me impotente e sem saber se estou a agir correctamente.

dezembro 27, 2005

Quase ano novo


Aqueles dois dias - véspera e natal - passaram. Já estou em casa. Trocaram-se prendas, já não com aquela magia de há anos, já não há crianças. Mas é sempre giro. Recordam-se outros natais, recentes e antigos e depois tudo volta aparentemente à realidade. Não me sinto nada animada para mais um ano: viver cansacomo diz o Pavese.
Mas até estou entusiasmada com um acontecimento! Vai haver este ano, em Fevereiro no CCB uma exposição de obras da Frida Kahlo - não vou deixar de ver.

dezembro 18, 2005

Perder

Estou a vê-lo a chegar a casa numa dessas manhãs frias antes do Natal. Carregado com couves, agriões ou tangerinas cuja qualidade e oportunidade seria regularmente criticada. Esfregava as mãos uma na outra, depois dessa caminhada pelas hortas dos amigos:
Que briol! Mas o frio é que enrijece!
Há sete anos que estou órfã de pai.

dezembro 14, 2005

Livro de reclamações

Parece haver mesmo um gostinho pela perseguição aos professores por parte de alguma(?) comunicação social. Hoje na TSF, a propósito do livro de reclamações que passa a ser obrigatório em vários serviços públicos, nomeadamente escolas, a jornalista pertinente perguntou: pode-se deduzir que poderão ser feitas reclamações contra os professores nesse livro? Ao que a visada respondeu um pouco engasgada: bem, tem que imperar o bom senso tanto mais que uma queixa, a provar-se a razão, implica uma multa.
Era só o que nos faltava.
O que é estranho é a jornalista não se ter lembrado de mais nada.

dezembro 13, 2005

Estudos

Que pena! Acabaram as grandes discussões e argumentações lógicas sobre a inexistência de Deus. Tudo se resume, segundo uns estudos(?) recentes a uma questão química. Quem acredita tem serotonina no cérebro, quem não acredita não tem... era tudo tão fácil afinal, sem falar na questão genética que também parece dar uma espritadela. Bem haveria quem gostasse que fosse assim, mas o estudo apenas parece indicar que o nosso cérebro está bem equipado cognitivamente para acreditar e mais nada.

dezembro 03, 2005

Ideias

Uma amiga dizia-me há dias que eu estou a virar para a direita. Isto a propósito de não fazer coro contra a ministra da educação e as suas medidas autoritárias. Em relação ao autoritarismo ou autismo com que as medidas foram aplicadas até não estou em desacordo mas, em relação às medidas propriamente ditas estou.Claro que as escolas não têm condições para serem os tais locais educativos a tempo inteiro, mas talvez seja a altura de se fazer algo mais do que lamuriar e começar a trabalhar para que o sejam. Os sindicatos só sabem falar nos direitos adquiridos, pouco têm falado em condições de trabalho. Só sabem falar em comissões eleitas democraticamente e em autonomia - o que querem dizer com isso? Será que por as direcções serem eleitas "democraticamente"(?) garantem uma boa gestão?. A minha experiência e, já é alguma, diz-me que não. É um pouco estranho um processo eleitoral em que os que estão no poder vão controlar.

dezembro 01, 2005

Lembro-me

Acho que posso dizer que a minha educação sentimental e as minhas primeiras ideias feministas surgiram na pré adolescência com a leitura de Camilo. Talvez seja estranho. Levava as férias do Verão - aquilo é que eram férias grandes - a devorar o que havia em casa e na biblioteca pública. Penso que li quase tudo. Aquela mulher apaixonada, mas sem vida própria, dependente do pai ou do marido, incapaz de lutar contra o seu destino determinista foram as minhas primeiras referências. Também sofri de um estranho fascínio pela Ana Karenina, obra proibida, lida em inglês às escondidas.Nessas longínquas férias lia também livros sobre a 2ª. guerra e de história, tipo vida quotidiana no tempo dos romanos. Fazia palavras cruzadas e resolvia exercícios de matemática. Sonhava acordava com o que faria "quando fosse grande" e nada me estava vedado. Mas era tudo muito nublado muito inocente, pois não tinha referenciais vividos para imaginar de outro modo. Pensava em fugir de casa mas sabia que nunca o faria; "sempre que leio nos jornais de casa de seus pais desapareceu embora sejam outros os sinais julgo sempre que sou eu"( Carlos Queirós). Imaginava-me a conhecer um rapaz extrordinário, mas essa relação era quase platónica.
E olhava para a minha mãe e via o futuro que não queria ter. Não tive.