
Nos Estados Unidos, no início dos anos 90, os criminologistas, cientistas políticos e outras pessoas faziam previsões negras sobre o aumento da criminalidade juvenil americana. Mas aconteceu o contrário: de repente, em vez de crescer, a criminalidade de todo o tipo começou a diminuir de forma surpreendente. Em cinco anos a taxa de homicídios envolvendo adolescentes tinha baixado 50% contrariando todas as previsões.
Imediatamente os analistas começaram a procurar as razões que iam desde a vigorosa economia dos anos 90, às leis de controlo de armas, às estratégias policiais inovadoras postas em prática. Essas teorias explicativas eram lógicas e dos especialistas passaram para os jornalistas e daí para o público passando a ser do senso comum.
Mas havia um problema: não eram verdadeiras. Uma outra causa da ocorrência situava-se nos anos 70 quando, na sequência de um pedido de aborto por parte de uma mulher, foi desencadeado todo um processo que levou à legalização do aborto em todo o país. Como é que este facto explica a inversão da violência juvenil? É simples. Crianças não desejadas têm maior probabilidade de virem a tornar-se criminosas. Ou seja, houve um conjunto de potenciais criminosos que foi reduzido de uma forma espectacular. Este factor é no entanto ignorado pelos analistas como uma das causas para a queda da criminalidade.
Isto é um resumo de uma das curiosas posições de Steven D. Levitt - o economista americano que vê as coisas de uma maneira diferente.