abril 23, 2005

Sábado

O fim de semana não está nada bom para quem esperava apanhar sol, não era o meu caso. É mau para esses mas é bom para o país, os nossos campos agradecem.Também está bom para ir ao cinema e à festa da música. Não,eu não vou a lado nenhum. Sou muito caseira, estou muito doméstica. Vou ler e talvez ver um filme policial se a TV fizer a graça de tranmitir algum de que eu não conheça o fim. Estou naquela fase da vida em que as mulheres costumam ficar deprimidas: os filhos saem de casa, já não têm idade para os levarmos ao jardim - o que era uma seca às vezes - ou aos museus. Fica-se com o marido mas não apetece estar com ele... enfim, estamos entregues a nós próprias finalmente, mas ainda não sabemos o que fazer com esse tempo.

abril 20, 2005

Leituras

Estou a ouvir pela segunda vez uma entrevista com o Frederico Lourenço, penso que é na Antena2. Quando a ouvi a primeira vez,ia no carro e não sabia quem ele era, além do que ele próprio afirma aí: é professor universitário,é tradutor de grego, de Homero e diz que é homossexual. Mais tarde li o seu livro "Amar não acaba". As minhas raízes de proletária levam-me sempre a ter uma atitude,digamos, preconceituosa, em relação aos elementos das classes altas e burguesas. Talvez seja injusta, mas custa-me vencer esta tendência para "denegrir", deitar a baixo , criticar quem acho que teve tudo. Portanto ainda não sei se gosto dele.Mas não gosto de o ouvir falar, tem um tique no fim das frases, respira ou aspira ruidosamente.Queria sentir-se inteiro, diz ele no livro e agora, afirma, já se sente mais do que quando escreveu o livro. O livro é interessante, autobiográfico, o que me levou a lê-lo foi a afirmação da sua homossexualidade.Curiosidade.

abril 15, 2005

Mais uma semana

Afinal as duas árvores que julgava mortas, estão vivas. Uma já tem folhas há duas semanas e a outra começou a ter hoje, no alto. Estava enganada. Acontece às vezes, reconheço.Aí vem mais um desanimador fim-de-semana em que ficarei envolvida em tachos, roupas e papéis, tendo umas horas de descanso, de manhã, enquanto os outros dormem. Também durmo, mas o meu ritmo é diferente: sou da velha guarda "do deitar cedo e cedo erguer". Também se não fosse assim, o caos instalava-se.
Tenho sempre projectos para o fim-de-semana: ler um livro ou artigo adiado, arrumar os meus papéis, preparar aulas de maneira diferente. Umas faço, outras não.
Vamos ver se cumpro o essencial, para me sentir melhor durante a semana:objectivos modestos.

abril 09, 2005

Mortes

Nas últimas semanas só se falou em mortes. Primeiro foi o caso da americana Terri Schiavo- uma maneira cruel de morrer que teria sido suavizada se assumissem a eutanásia. A seguir veio o Papa. E aqui falam na sua maneira política de morrer, mostrando o sofrimento e a frágil condição humana. Chovem revistas, jornais, programas televisivos sobre a vida e os feitos do Papa. Quanto a mim, tirando a condenação do comunismo e, talvez a condenação- tenho dúvidas- da intervenção americana no Iraque, pouco vi que me tenha agradado. A recordação do papa, para mim, profunda ateia, virá sempre ligada ao ultra conservadorismo da Igreja em relação às mulheres e à sexualidade.
Para fechar a semana ainda tivemos a morte do Rainier,figura envolta por um certo romantismo e conto de fadas. Agora do Papa falar-se-á até existir sucessor.
Hoje fala-se do casamento do príncipe Carlos com a sua Camila, ao fim de trinta anos de espera.E já estamos em directo de Windsor. É triste ser uma figura pública, tenho "pena" deles.

março 30, 2005

Ficção

A realidade parece ser bastante diferente da ficção, pelo menos aqui e no universo da investigação policial. Sempre gostei de ler livros policiais, não propriamente por gosto mórbido, mas porque me diverte seguir as pistas para descobrir o criminoso.E, claro, também gosto de filmes e de algumas séries. O que vejo ultimamente é o extraordinário desenvolvimento da ciência ao serviço do investigador. Já não se chega só por dedução lógica ao criminoso, às vezes basta, ou é preciso, fazer uns bons exames laboratoriais aos elementos encontrados no local do crime ou à vítima para se chegar à solução. Até que ponto estes métodos são correntemente usados? Fazem só parte da imaginação do guionista ou do escritor? Parece-me que não. Então será que, entre nós, em Portugal, são ficção? Estas questões vêm a propósito da Joana desaparecida há meses e de outras crianças que se pensa terem sido raptadas por redes de pedófilos. Como é possível não se saber nada passados tantos meses? Se não temos meios técnicos e científicos porque não pedir a quem os tem?A polícia tem andado às aranhas e o mais provável é que tenha descurado hipóteses para as quais agora já é tarde encontrar provas..

março 24, 2005

Estatísticas

Ando a fazer limpeza a papéis e jornais que,diga-se de passagem, são uma praga difícil de vencer,pois todos os dias é reposta. Encontrei, num Público de 21 de Fevereiro deste ano, referência a um estudo da Marktest sobre "A blogosfera em 2004". Um dos objectivos é a definição do perfil do bloguista português. Fiquei então a saber, maravilhas das estatísticas, que não me enquadro nesse perfil. Assim o bloguista é predominantemente masculino (68,9%), idade entre 15 e 34 anos (63,9%),pertencente às classes alta e média alta (47,7%) e a região do país mais representada é a Grande Lisboa (32,1%).A notícia não explicava como foram obtidos os resultados. Pareceu-me que o estudo só se referia a visitantes,poder-se-á ser apenas um visitante amorfo ou invisível?
Bom, agora vou contribuir para que o número de horas na blogosfera diminua porque vou estar ausente quatro dias.

março 22, 2005

Férias

Começaram as férias. Devo ir uns dias à terra, para manter a tradição. Hoje vou fazer um jantar de anos cá em casa. Vai ser bacalhau mas não sei como, o que der menos trabalho, o que para mim não é apetitoso. Só gosto de bacalhau em pratos elaborados,não aprecio o tradicional cozido, mas não estou com paciência para trabalhar.
O meu gato preto está em cima da mesa a olhar para os meus dedos no teclado e o Zoco,outro gato entrou agora e foi para a mesa junto da janela. Gosta muito de olhar para a rua, como eu.Ainda tenho mais duas gatas, estão a dormir.

Onde estão as mulheres?

O Sócrates, nosso primeiro ministro, tem um certo ar enfatuado. Dou-lhe o benefício da dúvida e espero que a equipa funcione e que alguma coisa comece a mudar pois a situação em que estamos é insustentável. Lá teremos que fazer mais sacrifícios... Mas as declarações que fez para justificar o facto de este governo ser o que menos mulheres apresenta é que já me fazem ficar duvidosa das suas intenções: as mulheres são incompetentes e originam fugas de informação, em resumo, são umas estúpidas dumas galináceas. Houve algumas militantes do PS que se manifestaram mas acho que foi apenas um ruído. Enfim, como noutros tempos, pede-se às mulheres que fiquem em casa a facilitar o serviço cívico dos homens, nas suas naturais funções mas que não se esqueçam de votar - quando é necessário. Mais de trinta anos depois do 25 de Abril e quase nada mudou.

março 20, 2005

Blogs

Andei a circular pela Blogosfera e encontrei alguns blogs que têm algum interresse. Mas é difícil procurar e encontrar. Pergunto-me se alguém alguma vez teve curiosidade em parar no "horas mortas". Costumo deixar os meus comentários,quando faço visitas, porque se as pessoas escrevem é porque querem comunicar,ou então escreviam nos seus ficheiros secretos ou num diário fechado na gaveta.
A propósito adoro cadernos. Não consigo resistir a um novo caderno em branco e ao seu cheiro.Compro mesmo sem precisar. Quem sabe o que irei escrever?

março 19, 2005

Primavera

Por magia as árvores vestiram-se.
Quando era pequena fazia-me confusão o que eu considerava uma contradição. Pois no Inverno os Humanos e outros animais cobriam-se e as árvores despiam-se. Com o calor acontecia o inverso. Só mais tarde percebi a razão. As plantas fascinam-me, não pelo aspecto, pela imagem bela, mas por toda a evolução silenciosa que elas representam, talvez por ser menos evidente que nos animais ou por pensarmos menos nelas como nossos parceiros.
Desde criança que tenho o hábito ( alentejano, provinciano?) de "ir à janela ver quem passa ".
Gosto de ver as pessoas atarefadas com as compras, a despejar o lixo que separaram, a passear os cães, a deitar o lixo para o chão - o que é muito frequente ainda- como vai a venda de droga, se a polícia aparece, mas não é por gosto pela vida alheia. Gosto de olhar. Moro aqui há trinta anos e não sei o nome nem a profissão de ninguém nem dos que moram no meu prédio. É triste.
A última vez que fui à janela, entre outras observações, analisei o estado vegetal das oito árvores e, apenas uma verdejava, talvez porque apanha mais sol. Agora, depois destes dias quentes a situação alterou-se: apenas duas estão despidas. Devem estar mortas ou doentes porque não encontro uma explicação lógica para o facto. A primavera avisa que chega ao calendário para a semana.