agosto 31, 2007

Há uns vinte anos podíamos percorrer os caminhos de Santa Maria e raramente víamos uma conteira (hedychium gardenarianum), planta originária dos Himalaias, agora encontram-se muitas, pelo menos nos sítios por onde costumo andar. Foram declaradas plantas infestantes pelo governo regional embora essa atitude fosse criticada pois as conteiras teriam possibilidades económicas não investigadas nomeadamente em cosmética. Ignoro. Sei que são bonitas, têm um perfume que entontece um pouco e as flores podem-se chupar e são doces. Estou com saudades...

agosto 26, 2007


Esta foi tirada por mim no Miradouro do Espigão, está com algumas diferenças em relação à anterior. O mar estava mau e o tempo chuvoso. E as férias estavam quase no fim.

julho 25, 2007


A partir de quinta vou estar perdida no meio do oceano.

julho 24, 2007

Para alguns parece que o insucesso em Matemática é devido ao uso precoce da máquina de calcular e à não memorização das tabuadas. Todos os anos recebo alunos que acabaram de fazer o 1º ciclo em escolas da cidade de Lisboa e arredores, públicas e privadas. Nenhum deles usou até aí calculadora e comigo só costumam utilizar no 6ºano. Quanto ao conhecimento da tabuada a situação varia mas embora alguns não as saibam na ponta da língua sabem o que devem fazer para responder. Levam é mais tempo. Depois vem a questão dos algoritmos: são raros os que sabem o da divisão com mais do que um dígito no divisor e muitos nem isso; em todas as operações quase todos se esquecem do transporte não se admirando nada de ir às compras e depois da despesa terem mais dinheiro do que antes. Se entrarmos em adições e subtracções de números inteiros com números decimais é um desastre para muitos:
4 + 1,5 =1,9 e só depois de questionados com um exemplo do tipo" tens 4 euros e dou-te um e meio achas que ficas com 1,9"...Ah é verdade esqueci-me!...reconhecem o erro.
Com este panorama vamos resolver problemas. Acho que quando se fala na palavra problema dá-se um aperto no cérebro da criança. O horror! Para mim seria mais horroroso fazer contas que não se referissem a um problema. Eles preferem fazer contas, do mal o menos. À palavra problema acendem-se na suas cabeças quatro botões: mais- menos- vezes -dividir. Qual será? Ainda antes de ler a questão já estão obcecados com essa escolha. E se a máquina de calcular pode fazer a operação não a pode escolher ainda. E muitos alunos até sabem as tabuadas e sabem resolver as operações mas não chega para resolver um problema.
Assim concluo, à primeira vista, que algo está errado na aprendizagem que a maior parte dos alunos teve antes de chegar a mim e que a situação não é tão simples como a dicotomia cálculo mental - calculadora.

julho 18, 2007

Não estamos satisfeitos

Dizem as estatísticas:

Quase 40 % dos portugueses estão insatisfeitos com a vida.

Trinta e oito por cento dos portugueses estão insatisfeitos com a sua vida face a apenas 19% dos europeus. É o resultado do Eurobarómetro 67 (Primavera 2007) sobre a opinião pública europeia feito por encomenda da Direcção-Geral de Comunicação para a Representação da Comissão Europeia em Portugal. Vários Eubarómetros anteriores têm demonstrado que os portugueses estão entre os cidadãos mais insatisfeitos da Europa em relação à vida em geral. Neste Eurobarómetro, essa situação não se alterou. Numa perspectiva de médio prazo, esta posição tende a modificar-se. Assim, os portugueses estão entre os europeus que mais acreditam que a sua situação pessoal irá melhorar no espaço de cinco anos. Cinquenta por cento dos portugueses acreditam que dentro de cinco anos a sua situação irá melhorar face apenas a 43 por cento dos europeus. Entre os que têm esta crença estão os mais jovens e em termos de estatuto ocupacional, os profissionais liberais, os colarinhos brancos e os trabalhadores manuais.
Eu também espero ficar mais satisfeita com a vida nos próximos cinco anos...

julho 15, 2007

Uma escola portuguesa, EB23 de Pias, foi distinguida por um organismo internacional pela sua qualidade educativa, no entanto a DREN declarou o seu encerramento, segundo uma notícia do Expresso.
Estranho mundo o português..

julho 14, 2007

A minha vida de estudante foi marcada sempre por exames, até fiz exame de admissão ao liceu quando acabei a quarta classe. O exame era um momento importante: nesse dia costumava estrear um vestido e sapatos para reforçar a solenidade do acto.
Posteriormente foi decretada a "monstruosidade" e a contranatura dos exames, acompanhada de uma filosofia de avaliação contínua que acabou por institucionalizar a desvalorização do trabalho individual, do esforço continuado e da memorização. Foram trinta anos assim...
Há gente que está convencida do contrário. Se houvesse mais exames, exames a todas as disciplinas, veríamos que não é só a Matemática que anda mal.

"Os alunos não sabem nada? Não estão preparados para a vida? Pois muito bem, a solução mais fácil - e também a pior - consiste em acabar com a maneira de se saber que eles não sabem. Se ignorarmos o problema, passa a não haver problema nenhum. Ah, como seria fácil o ensino em Portugal sem quaisquer exames..." (Carlos Fiolhais)

julho 12, 2007

Belvedere, litografia,1958, Escher
"Atrás e à frente,ao mesmo tempo, não é possível num mundo tridimensional e não pode por isso ser representado. Mas pode ser desenhado um objecto que, visto de cima, representa uma realidade diferente da que representa quando visto de baixo".
É o que acontece com o desenho da folha de papel no chão onde estão desenhadas as arestas de um cubo, os círculos indicam os pontos onde as linhas se cruzam e não sabemos que linha está à frente e que linha está atrás.
Igualmente o rapaz sentado, tem na mão um cubo impossível que observa e atrás de si está um belvedere , onde interior e exterior se confundem. Porque será que há um prisioneiro no primeiro piso?

julho 10, 2007


Dia e noite (1938)
Mauritus Escher (1898-1972) é um artista gráfico holandês, conhecido pelas suas xilogravuras e construções representando situações absurdas e simetrias inspiradas na arte árabe.
São suas as seguintes palavras:
"As ideias que lhe estão subjacentes ( refere-se à sua obra) testemunham, na maior parte, o meu espanto e admiração em face das leis da natureza que operam no mundo à nossa volta. Aquele que se maravilha com alguma coisa tem ele mesmo a consciência da maravilha. Olhando de olhos abertos para os enigmas que nos rodeiam e ponderando e analisando as minhas observações, entro em contacto com o domínio da matemática. Embora não tenha qualquer formação e conhecimento das ciências exactas, sinto-me frequentemente mais ligado aos matemáticos do que aos meus colegas de profissão".
Sobre a xilogravura representada ele esclarece:
"Campos cinzentos rectangulares evoluem para cima em silhuetas de aves brancas e negras. Como duas formações de sentido contrário voam as pretas para a esquerda e as brancas para a direita. No lado esquerdo fundem-se as brancas umas nas outras e formam céu e paisagem de dia. Do lado direito unem-se as pretas na noite. A paisagem do dia e da noite são imagens reflectidas uma de outra, ligadas por campos cinzentos, dos quais de novo evoluem aves".

julho 08, 2007