março 23, 2010

Tenho uma pancada, entre outras, pelos Ficheiros Secretos, que agora estão a repetir no canal FX. Alguns episódios serão disparatados e nem tenho paciência para os rever. Mas outros levantam questões curiosas e perfeitamente actuais.
O que aconteceu agora há uns dias no Brasil, com o assassinato de um cartoonista muito conhecido, Glauco, da Folha de S. Paulo, parece retirado de um desses episósios da temporada 3 ou 4. Glauco foi o fundador de uma seita -mistura de cristianismo com outra coisa qualquer - e proclamava o autocomhecimento através do consumo de um chá, o ayahuasca. Esta bebida é um perigoso alucinógeno permitido apenas para uso religioso. ( Só aqui pergunto a que propósito tal permissão). Glauco convenceu-se então sob efeitos do chá que era portador de uma missão: criou a sua igreja do Santo Daime para através do uso do produto ajudar os viciados em drogas pesadas  a libertarem-se. O assassino começou a frequentar a comunidade religiosa  e começou a ter revelações.  Entrou na casa do cartoonista exigindo que fossem a sua casa provar que ele era Jesus Cristo. A história acabou mal porque matou o desenhador e o filho com vários tiros.
A esfera do religioso ainda é um campo fora do controlo da lei e das regras sociais.

março 21, 2010

O Papa pede desculpas mas isso não chega. Ond está o procedimento disciplinar?

março 14, 2010

Dia do Pi

Deixei passar o dia da Mulher mas não deixo escapar este...




Estas são apenas algumas das milhares de casas decimais desse número extraordinário conhecido, pelo menos, há dois mil anos, como o quociente entre o perímetro de um círculo e o seu diâmetro e que dá algumas dores de cabeça aos nossos alunos.

Porque não há mulheres com a medalha Fiels?

O dia 8 de Março já passou mas qualquer dia serve para falar dos problemas que ainda persistem.

Do interessante blogue "The accidental mathematician" recolhi este aspecto:
Why have there been no female Fields medalists? It should not be unreasonable to say that the absolute top level of accomplishment – in mathematics or any other area of science – requires a confluence of exceptional talent and circumstances favourable enough for such talent to flourish. Such circumstances might include encouragement from family and teachers, early access to high level education, acceptance and support of the academic community, and generally having control over one’s own life. This is doubly important in the case of awards where an early age limit does not leave much time for overcoming serious obstacles. Emmy Noether might have been a contender for a Fields medal if it had been established a few decades earlier. The Fields age limit is 40. Noether was only able to get a paid job at a university in 1919, at the age of 37.
That was only 90 years ago. Much has changed since then, but the playing level is still far from level. Give it another 200-300 years, raise the Fields age limit to 50 to allow for childbearing, include women on the Fields selection committee from time to time, and if there are still no female Fields medalists at the end of that period then that may be grounds for discussion. I’m not convinced that we’ll have to wait that long, though. We do see more and more women winning prizes and honours in mathematics, including those with age caps. For all I know, it could happen within the next 10 or 20 years
O artigo todo

Homens que não gostam de mulheres

Acho que o JP Coutinho tem razão.

março 07, 2010

Um acabou com o sofrimento de vez . E os milhares que continuam a sofrer em silêncio?

março 06, 2010


 Edgar Degas (1834-1917)

 
A Beatriz tem quase quatro anos. Está a brincar e a conversar com os brinquedos e fala em casamento. Pergunto-lhe o que é.
- É quando alguém dança sem parar ...e com uma flor.

fevereiro 26, 2010

Palavras do "filósofo da moda"Bernard Henri- Levy sobre a burca:

«Há quem diga: "A burca é um vestido ou, quando muito, um fato. Não vamos agora criar leis sobre vestuário." Errado: a burca não é um traje. É um ultraje. É uma mensagem que transmite claramente subjugação, subserviência e, em última instância, a aniquilação das mulheres.

•Outros dizem: "Talvez seja subjugação, mas são usadas com o consentimento de quem as enverga. Não são maridos maliciosos, pais abusadores ou tiranos locais que obrigam as mulheres a usá-las." Isso é tudo muito bonito, mas essa teoria da servidão voluntária nunca colheu como argumento. Um escravo feliz nunca justificou a infâmia essencial, fundamental e ontológica da escravatura. (...)•Outros ainda invocam a liberdade religiosa e de consciência, a liberdade de cada um de praticar a religião da sua escolha; como pode alguém proibir os fiéis de venerarem Deus segundo as regras enunciadas nos seus livros sagrados? Mais um sofisma, dado que - e nunca é de mais repeti-lo - usar a burca não corresponde a qualquer preceito do Alcorão. (...) ler

fevereiro 21, 2010

Prestígio Zero

É como é considerada a profissão de professor no Brasil. Apenas 2% dos estudantes do ensino médio em escolas públicas e privadas pensa seguir a carreira de professor. Estes candidatos pertencem ao grupo dos 30% de alunos com piores notas. Estas são as conclusões de um estudo conduzido pela Fundação Carlos Chagas e referido na Veja de 10 de Fevereiro. O inqúérito foi aplicado a 1500 alunos do ensino médio em todo o país. A coordenadora da pesquisa conclui: " Sem atrair as melhores cabeças para as faculdades de pedagogia, o Brasil jamais conseguirá deixar as últimas colocações nos rankings do ensino".

O relatório completo sobre o estudo pode ler-se aqui.

fevereiro 02, 2010

Sábado passado fui assistir a uma conferência, claro, de matemática.A estrela principal era o Professor Hung-Hsi Wu da Universidade da Califórnia, Berkeley. Foi promovida pela faculdade de Ciências com apoio, entre outros, da Lisboa Editora. Na primeira parte o orador defendeu a sua ideia de "engenharia matemática"necessária para se ser professor no ensino básico, professor de matemática escolar. O que se aprende na Universidade não está adaptado, pronto para ser consumido pelo "cliente básico" tem que sofrer um trabalho,como que de engenharia, para chegar o produto final, consumível. Ou seja, temos que ensinar de forma que se percebam os conceitos mas sem esquecer a matemática "superior" que está subjacente.
Seguiu-se um debate um pouco centrado nesta ideia mas com algumas fugas, havendo várias correntes de pensamento representadas na mesa, como as ligadas à APM e SPM.
Na segunda parte, o Professor Wu deu-nos um workshop sobre o ensino de fracções. Era este o meu principal objectivo.
Foi interessante embora me parecesse que o professor pensasse que eramos todos ignorantes, pois explicava tudo como se  não soubessemos nada, embora frisasse, muitas vezes, que desconhecia a realidade portuguesa. A tese dele é de que as pizas servem para comer e não para ensinar fracções - pelos vistos os professores americanos exageram este recurso de tal maneira que os alunos pensam que uma fracção é uma parte de uma piza. Então a fracção, propõe ele, que seja definida como um ponto na recta orientada: um quarto quer dizer o quarto ponto contado a partir de zero num segmento que foi dividido em quarto partes iguais. Nada de novo até costumo fazer isto. Mas dar as operações a partir da recta é que nunca experimentei. Um caso a estudar. Os trabalhos deste professor estão disponíveis on line.