junho 07, 2006

A avaliação dos professores

O debate sobre a avaliação dos professores anda por aí. Estas ideias vieram no blasfémias:

Avaliar sim, mas não assim
Lendo o que os professores (e não só) vão escrevendo nos blogs e nos jornais concluo que:

a) todos são a favor da avaliação;

b) mas ninguém é a favor "desta avaliação".

"Esta avaliação" é qualquer tipo de avaliação que esteja a ser discutida num dado momento. Assim, a avaliação não pode ser feita pelos pais (são incompetentes e interesseiros), nem pelas notas de exame (não entram em conta com o meio socio-económico), nem pela burocracia do ministério (a máquina é pesada e cega). Não pode ser feita por mecanismos de mercado (a educação não é uma mercadoria) nem pelo coordenador de departamento (amiguismo) nem pelo conselho executivo (nepotismo). Não pode ser feita por exame de admissão à entrada da profissão (estariamos a desconfiar das universidades públicas) nem por provas de doutoramento (as universidades baixariam os critérios de exigência para conseguir clientes). Curiosamente, o sistema de avaliação que reúne mais consenso é o actual.
JoaoMiranda

junho 05, 2006

My Marilyn ( paste up )


Vista por Richard Hamilton ( 1966 )- a transformação de um indivíduo num objecto de consumo.
Se fosse viva tinha oitenta anos . Alguma coisa teria sido como foi?

junho 04, 2006

A violência nas escolas e outras

Talvez seja feio - ou politicamente incorrecto - mas não consigo deixar de rir quando me lembro da frase do Júdice no último Eixo do Mal : O que foi a GNR fazer para Timor? Deviam ficar cá e ir para as escolas portuguesas!

maio 30, 2006

Mais uma

Quando vou para a escola a pé - desde que cortei relações com a Carris - faço uma paragem no primeiro quiosque para ler os títulos dos jornais. Os de hoje do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, ia dizer que eram bombásticos, mas não, eram aquilo a que estamos habituados há um certo tempo. A ministra da Educação traça um quadro negro das escolas e responsabiliza os professores pelo insucesso dos alunos ( e porque não? )

maio 21, 2006

Estudos do género


Vi um artigo no Le Monde 2 sobre o livro de Judith Butler "Défaire le genre" editado agora e fiquei interessada, já há muito tempo que não leio nada sobre feminismo, como vai a reflexão sobre o tema por esse mundo. Esta escritora reflecte, por exemplo, sobre o casamento homossexual, homoparentalidade, legalidade e minorias, ostracismo, o que poderá ser um direito tolerante - uma ética não repressiva.
Apresenta o exemplo dos nascidos "intersexuados", os hermafroditas verdadeiros. Estes casos representam, pelo menos, 1,7% dos recém-nascidos. Estes seres ( é muito 1,7 em cada 100 )muitas vezes considerados como monstros não existem na nossa sociedade pois são operados à nascença e transformados em homem ou mulher por decisão dos pais e dos médicos. Segundo Butler " um modelo de humano requer morfologias ideais, impõe restrições de normas corporais...fazem uma diferenciação entre o que é humano e o que não é, entre as vidas julgadas viváveis e as que não o são." E pergunta porque é que um hermafrodita - um ideal dos gregos antigos - não teria uma existência viável. " Os intersexuados poem radicalmente em questão o princípio que reina nas nossas sociedades segundo o qual a diferença sexual entre os géneros deve ser estabelecida ou mantida a qualquer preço". Movimentos de opinião nos Estados-Unidos pressionam para que os médicos não façam essas operações aos bebés e que os deixem na idade adulta escolher o seu género ou permanecer como são. Nunca tinha pensado nisto. E pergunto-me, achando correcta esta posição, o que teria realmente eu feito se me tivesse nascido um bebé assim.

maio 15, 2006

O anti -boicote




Dentro de poucos dias estreará em quase todo o mundo o filme «O Código da Vinci», inspirado no romance do mesmo nome de Dan Brown.

Mas a estreia deste filme tem sido tudo menos pacífica:

Nas Filipinas, o ministro da presidência Eduardo Ermida afirmou que, como bom católico, não pode tolerar que o filme seja exibido em nome da liberdade de expressão, considerando-o blasfemo.

No Brasil, o piedoso deputado Salvador Zimbaldi procura impedir a exibição do filme através de uma providência cautelar que requereu nos tribunais brasileiros, e que já foi derrotada em primeira instância.

No Peru, o cardeal arcebispo de Lima, Juan Luis Ciprianim exortou os católicos a rechaçar o Demónio que atenta contra a fé e se manifesta nestes dias com uma versão que desmente a traição de Judas a Jesus, e que é precisamente esse mesmo Demónio, que está solto e cobiça as almas, quem está por trás do filme.

Na Inglaterra, a própria Opus Dei trava uma batalha judicial para evitar a estreia do filme, e insiste que a Sony Pictures deveria tomar a iniciativa de a cancelar ou, pelo menos, incluir no filme um aviso aos espectadores católicos mais atrasados mentais que o filme não passa de uma obra de ficção.
Numa ameaça perfeitamente explícita, esta ilustre organização de bons e fervorosos católicos parece querer fazer jus ao modo como é retratada no livro e, numa alusão à reacção muçulmana aos cartoons dinamarqueses, dá-se ao luxo de alertar para «as possíveis reacções que nestes tempos conturbados a exibição do filme pode ainda vir a causar».

Na Índia, o "Forum Social Católico" convocou uma cruzada de orações e também uma greve de fome por tempo indeterminado, como protesto pela estreia do filme naquele país.
Como se não bastasse, estes bons e piedosos católicos - e porque a fé move montanhas - oferecem ainda uma recompensa em dinheiro a quem capturar o escritor Dan Brown, vivo ou morto.

No Vaticano, três importantes cardeais lamentaram a ignorância religiosa que alimenta o interesse pelo romance. O próprio ministro da cultura do Vaticano, o cardeal francês Paul Poupard, dizendo que o livro distorce gravemente a história da Igreja e que as pessoas, coitadas, não têm conhecimentos religiosos suficientes para separar a realidade da ficção, apelou juntamente com outros cardeais e com o arcebispo Angelo Amato, a um boicote generalizado ao filme por parte de todos os bons católicos.

Pois bem:
Se é possível o apelo a um boicote, porque não será também possível o apelo a um "anti-boicote"?

Por mim, e independentemente da curiosidade que tenho de ver as interpretações de Tom Hanks e Audrey Tautou e de apreciar como Ron Howard transpôs para a tela a história de Dan Brown, irei logo que possa ver o filme.
Nem que seja só para marcar uma posição.

É esse precisamente o apelo que aqui deixo:
O "anti-boicote" ao filme «O Código da Vinci»!




(Publicado simultaneamente no «Random Precision» e no diário Ateísta)

Dias esquecidos

Não tenho escrito nada porque não me apetece, mas tenho visitado os sítios do costume também muitas vezes sem deixar rasto. O computador não tem facilitado : tem andado inexplicavelmente lento, como eu. A pressão de ter que escrever todos os dias nem que seja para dizer barbaridades tem efeitos contraditórios, o encontro comigo também.

De súbito nos calamos. Tudo se perde
em nós. Como se resiste? Que súbito
começo principia? Tudo se desfaz
tão repentino, apenas temos
o silêncio íntimo das estátuas.

Tudo se dissolve em nada
nos dizermos de repente.

( Luís Adriano Carlos)

abril 26, 2006

O Feitiço do Tempo ( Groundhog Day )


Vi este filme mais uma vez, já não sei quantas foram. É mesmo um feitiço.

abril 25, 2006

Passaram uns anos


Há trinta e dois anos acordei tarde para ir trabalhar. Ainda não era professora nem sonhava vir a sê-lo. Era uma jovem trabalhadora estudante. Estranhei o facto de a rádio só dar marchas militares, mas não pensei muito no assunto. Fui de táxi. Foi aí que confirmei que algo de anormal se passava - os taxistas sabem sempre tudo. O homem aconselhou-me a não andar na rua porque tinha havia um golpe militar. Fui ao emprego e mandaram-me para casa. Comprei o Século e lá vinha na última página um quadrado sobre o golpe. Regressei a casa fazendo saltar da cama quem ainda dormia. Nesse dia comprei a minha primeira televisão a preto e branco. Os dias seguintes foram inesquecíveis.
Quem ler o Público de hoje só sabe que é 25 de Abril na página 12.

abril 22, 2006

eu-radical

Posso dizer que já realizei alguns dos meus sonhos ao longo da vida. O último foi fazer slide, coisa que eu não sabia que tinha esse nome.Soube o que era sentir um medo, daqueles em que o estômago fica apertado, a boca seca e mãos molhadas. Mas haverá maneira de descrever o prazer e a liberdade experimentadas depois da decisão de nos lançarmos no desconhecido?