abril 26, 2008


"Há dias que uma dúvida necessitava de ser esclarecida:a nova ministra da Defesa espanhola, Carme Chacón, cuja foto a revistar tropas grávida de sete meses correu mundo, ocupa o lugar por mérito ou por propaganda? Por outras palavras: se não fosse mulher nem estivesse grávida, seria ela a primeira escolha para aquele lugar?"

Esta preocupante questão está a inquietar o douto José Manuel Fernandes no editorial do Público de ontem.

Eu pergunto : alguma vez se a ministra fosse um homem, alguém iria levantar a questão se ele teria o mérito necessário para o lugar, ou se teria currículo adequado? Para ser ministro da Defesa será preciso ser militar?

Mais à frente afirma que a senhora antes desta nomeação era totalmente desconhecida. Está enganado: era ministra da Habitação no anterior governo de Zapatero,é formada em Direito e é militante socialista desde muito jovem. E segundo parece tem fama de antimilitarista.

Quanto à primeira medida que, segundo se diz tomou, de proibir o "acesso dos militares na Internet aos sites dos jornais desportivos e de uma revista erótica, em nome do congestionamento do tráfego nas linhas dos quartéis" o articulista sugere que a ministra não deve gostar de desporto ou então é contra a imagem da mulher-objecto e acaba por gloriosamente concluir que a sua imagem a fazer a revista às tropas é a foto de uma "mulher objecto", ou melhor, "objecto sexual", em nome de uma agenda política.

Já agora porque é que nas horas de serviço os militares terão que fazer as tais pesquisas na Internet?

O sr. JMF acaba por finalizar questionando se "Carme Chacón, seguindo por este caminho, não fará pior à causa da participação política das mulheres do que se tivesse recusado um cargo para o qual nada no seu currículo profissional e político indicava que fosse a mais indicada, isto é, a que tivesse mais mérito para estar onde está."
Devo concluir que este é um cargo para homens. Ela estaria bem com a pasta da saúde, da juventude, da educação... e devia ter recusado este cargo, que, como ela própria diz, é um desafio.

abril 25, 2008

abril 18, 2008

Edward Lorenz,matemático e metereologista, com 90 anos, morreu. Foi o "pai" da Teoria do Caos tendo formulado o famoso efeito borboleta que a originou.
Lorenz descobriu que pequenas mudanças ou pequenos erros num par de variáveis produziam efeitos desproporcionais. É conhecida a frase que deu o título a um seu artigo: "pode o bater de asas de uma borboleta no Brasil desencadear um tornado no Texas?"

abril 14, 2008


A Fernanda Câncio é pré socrática . Como este país é tristemente divertido!

abril 07, 2008

A ministra diz:
"As condições, os problemas, o número de professores a avaliar, os recursos de que cada escola dispõe, são diferentes", sublinhou a governante. "As escolas já compreenderam que não há outra alternativa. A suspensão do processo não está disponível porque é uma solução que prejudica os professores impedindo o prosseguimento normal na carreira", declarou.
E eu pergunto:
"A avaliação nestas condições, ao sabor dos recursos de cada escola não será também prejudicial para os professores condicionando o prosseguimento normal da sua carreira?"

março 28, 2008


Parece que aquela ideia romântica de estudar pelo gosto de saber já não pega. O quadro de excelência ,o diploma ou a medalha também é pouco motivador. O que é que realmente faz mover o mundo? O dinheiro. Se estudares e tiveres boas notas aumentamos a mesada, isto que nós fazemos entre paredes na doçura do lar, já o fazem escolas e governos por esse mundo fora. ver
Os Trabalhadores não pagam seguro automóvel


Confesso que este anúncio me intrigava. Estes cinco "homens de negro", engravatados e encoletados, a espreitar ameaçadoramente em algumas ruas por onde tenho passado deixavam-me perplexa pois não compreendia a mensagem. Devia ser esse o objectivo. Só hoje é que, com mais atenção, viu a referência ao Montepio. Pois é muito simples: é um anúncio à abertura de uma conta ordenado do Montepio.
Porque é que os bancos nos estão sempre a deitar poeira para os olhos?

março 26, 2008

Doisneau


Má educação :Isto tudo em 32 anos!


Nove nomes diferentes para o Ministério
Dezanove ministros diferentes
Ministros PSD: 20 anos, 11 meses, 18 dias
Ministros PS: 10 anos, 8 meses, 27 dias


(no castendo )


março 25, 2008

Má educação

Muito se tem dito e escrito nestes últimos dias sobre o que aconteceu numa aula numa escola secundária do Porto, filmado pelo telemóvel de um aluno e divulgado no YouTube. Há de tudo. Desde os que consideram que o erro é da professora, porque foi incompetente a lidar com a situação e não se deu ao respeito, aos que acham que o mal é dos pais que não dão educação aos filhos, aos que acham que a culpa é dos sucessivos governos que deixaram a educação chegar a um ponto ingovernável.
Quanto a mim, que sou uma pessoa conciliadora, acho que todos têm razão.
Há uma falta de autoridade e respeito para onde quer que nos viremos. Vemos isso a toda a hora nos noticiários televisivos: todos se agridem em termos vulgares.
Mas falemos só na (má)educação. Começa pela ministra no modo como trata os professores - ou na imagem que fica desse tratamento - e na legislação que vai fabricando, continua no modo como os professores a tratam e no que fica como imagem desse destratamento.
Para não falar em causas mais profundas , bastam estes dois factos para se esperar alguma consequência nas escolas.
Eu não me sinto bem junto dos meus alunos quando sou depreciada pelo Ministério e pelos jornalistas, mas também não me sinto bem quando os professores entrevistados sobre as razões da sua luta não sabem dizer mais do que a ministra é mentirosa e deve demitir-se.

março 19, 2008

Há quantos anos oiço isto?

No Ciência hoje de 13 de Março:

"Se uma mulher tem sucesso numa profissão diz-se que é uma mulher de "barba rija". Quando tem uma posição de liderança diz-se que é quem "veste as calças" em casa. Os exemplos da "norma do masculino" que ainda vigora na sociedade em geral, e em particular nas hierarquias da comunidade científica, animaram o debate sobre as dificuldades das mulheres cientistas, os entraves à progressão na carreira e o status quo de alguns investigadores seniores, pouco abertos às investidas femininas. O objectivo do Colóquio "A Mulher na Ciência: Responsabilidade Social e Espaços de Poder", que decorreu esta manhã na reitoria da Universidade Técnica de Lisboa, era consciencializar a comunidade científica para a necessidade de aumentar a participação das mulheres nas decisões e na gestão das instituições científicas.De acordo com os participantes, a discriminação das mulheres na ciência tem a ver sobretudo com os processos de manutenção do poder na hierarquia científica. Helena Pereira, vice-reitora da Universidade Técnica de Lisboa e Arménia Carrondo, vice-reitora da Universidade Nova Lisboa, revelaram dados relativos à distribuição por género nos quadros superiores das duas instituições. Segundo as responsáveis, não se percebe por que há uma maioria feminina ao nível dos diplomados no ensino superior e na distribuição por género nos quadros de gestão se verifica uma muito menor percentagem de mulheres ou até nenhuma mulher.