Comecei a ler. Tem quase todos os diários e apontamentos descritos depois de 1950 tirando um que está "desaparecido" e o que Ted Hughes destruíu com entradas até 3 dias antes do suicídio.
As mulheres com histórias trágicas atraem-me.
Comecei a ler. Tem quase todos os diários e apontamentos descritos depois de 1950 tirando um que está "desaparecido" e o que Ted Hughes destruíu com entradas até 3 dias antes do suicídio.
As mulheres com histórias trágicas atraem-me.
Passados esses momentos de divagação sobre as manhas da natureza, lá apanhava um pequeno balde que só dava para um apreciado arroz feito com a mestria da tia Zaza.
Há mais de 30 anos que não ia à minha terra. Entendendo como tal o sítio onde nasci e onde passava as férias de verão na infância.
Foi bom reconhecer os locais que tinha guardado como que numa gaveta da minha cabeça.
A casa onde moravam os meus avós, agora transformada numa instituição de servicos públicos, talvez a câmara. De lá procurar o caminho para o castelo que eu segui mecanicamente, como se todos os dias o fizesse.
E a rua da minha tia, a janela manuelina próxima . O largo onde paravam as camionetas. O café da esquina embora transformado, de acordo com os gostos dos tempos.
Descer a rua a seguir ao largo até virar à esquerda à casa de outra tia. Esta não encontrei, talvez perdida na nebulosidade das memórias. O jardim no rossio irreconhecível, perto de outra casa de tios.. Tudo lá estava como num saco de recordações.
Não consegui encontrar a casa onde nasci. Julgo que desaparecida numa rede de estradas a bem da comunicação e da comunidade. Mas era bem bonita.
Há dias frequentei ,on line, um curso de dita "escrita criativa". Neste exercício teria que escrever uma curta narrativa em que entrassem as palavra escadaria,corrimão e relógio.
Este foi o resultado inspirado na foto.
A rua que, até tinha nome, era uma larga e comprida escadaria cortada ao meio por um corrimão fazendo a ligação entre duas ruas paralelas. As crianças sentavam-se, com uma perna para cada lado do corrimão e deslizavam para uma viagem perdidas numa orgia de liberdade. No fim faziam o caminho inverso, a pé e recomeçavam. Ao vê-las, confesso, apetecia-me fazer o mesmo. Acompanhá-las, atropelá-las até chegar primeiro que elas. Mas ficava parada, absorvendo aquele momento, sem tempo até que a realidadedo meu relógio me alertava para o muito ainda por fazer antes de o dia acabar.
Estive uma semana no campo não em retiro literário como parece ser moda mas entregue ao que me deu na cabeça e ao que foi aparecendo além do convívio com dois amorosos cães, uma a gata e uma amiga.
Isto é uma ameixoeira em flor do terreno.