outubro 08, 2007

Gorz e Dorine em 1947


Há umas semanas André Gorz e a mulher suicidaram-se.Ela tinha uma doença incurável. O último livro dele "Carta a D.Uma história de amor" vai ser em breve publicado em português. Foi um filósofo que influenciou muita gente.Entre a sua posição quanto ao amor e a de Sartre poderá haver muitas variantes mas alinho-me mais pela de Sartre e Beauvoir: a experiência da abertura, a fidelidade ao pacto de projecto de vida e o dizer das outras relações amorosas autorizadas sem trair a relação fundamental (Bem sei quão difícil é).Em Gorz e Dorine o mesmo pacto existe mas de comprometimento exclusivo, corpo e alma. A fidelidade é não te faço o que não gostaria que me fizesses.



Excerto de "Lettre à D. Une histoire d'amour":

"Tu acabas de fazer oitenta e dois anos.És sempre bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos e amo-te mais do que nunca. Recentemente apaixonei-me mais uma vez por ti e trago de novo em mim um vazio devorador que não acaba senão com o teu corpo apertado contra o meu".


Sem ela a vida não fazia sentido. Quando puder vou ler este livro.Deve ser belo e comovente.

outubro 03, 2007



Ultimamente tenho encontrado em vários locais referências a Galois. A última foi num dos episódios de Numb3ers. O mentor do herói matemático da série, a certa altura, questiona-o sobre as suas opções de trabalho - a ajuda à polícia - com prejuízo do seus projectos académicos. Diz-lhe qualquer coisa do tipo: és jovem, brilhante. Lembra-te de Galois que também era um jovem matemático promissor e que deitou tudo a perder com a política e o amor, morrendo aos vinte anos num duelo. Quero que penses no modo como gastas o tempo que tens. Claro que estes ajuizados conselhos caem sempre em saco roto.

Evariste Galois(1811-1832) era françês e foi educado pela mãe em casa até aos 12 anos. O pai dedicava-se à política. Era muito precoce e deixou uma obra extraordinária. No entanto,as suas ideias revolucionárias eram mal recebidas pelos professores que não as compreendiam. Fez duas tentativas para entrar na École Polytechnique tendo sido recusado. Com o suícidio do pai,por motivos políticos, torna-se um defensor das ideias republicanas.Foi expulso da Ecole Normal Supérieur por escrever um artigo contra o director, foi preso por criticar o rei. Em 1832 conhece uma mulher por quem se apaixona mas que já estava comprometida. O rival desafia Galois para um duelo de que resulta a sua morte. Antes, pressentindo o fim escreve um testamento ao matemático Chevalier no qual lhe revela e tenta explicar as suas ideias sobre resolução de equações e teoria de grupos, que termina com a frase:"não tenho tempo".

setembro 29, 2007




O novo canal Foxcrime está a transmitir a série Numb3ers ,produzida por Ridley Scott, de que já passaram alguns episódios na TVI há tempos, a uma hora demasiado tardia para a minha rotina. Agora posso acompanhar e estive a ver os dois primeiros episódios. O primeiro é sobre um serial killer e violador, o segundo sobre uns assaltantes de bancos. O modelo da série é um crime e um detective que recorre ao seu irmão, um génio matemático, para o ajudar a prever a actuação dos criminosos em cada um dos casos, de modo a evitar o próximo crime. Não me interrogo se a matemática poderá dar uma resposta na resolução de crimes porque para mim a resposta é indiscutivelmente positiva. Mas há pessoas que poderão questionar esse contributo. As histórias contadas nos dois episódios referem-se a casos verídicos conforme podem confirmar. Partindo dos dados disponibilizados pela polícia sobre os casos , o matemático Charlie constrói um modelo cheio de equações em que se prevê a próxima actuação dos criminosos. Claro que nem tudo vai correr bem à primeira mas a matemática muitas vezes só se constrói depois de vários erros e experimentações.

setembro 23, 2007

Jean Seberg ( à bout de soufle )


Depois de mais de vinte anos de casamento separam-se. As razões dele não coincidem com as dela. Aliás, ele não apresenta nenhuma razão a não ser a atitude dela - saíu de casa. Os motivos que a levaram a isso para ele apenas existem na imaginação dela, suponho. Depois de separados tentaram um certo relacionamento que não foi conseguido, também aqui razões diferentes apresentadas de cada lado. Eu que oiço os dois e os conheço, poderia pensar ,ouvindo-os, tal a história é diferente, que fazem parte de casais distintos.

Actualmente não se falam, são dois estranhos. Isso é que não entendo: como é possível depois de tanto em comum - bom e mau - ignorarem-se, não terem nada para dizer...

setembro 16, 2007

Só para quem ainda não reparou

O relógio (1957 )
àmanhã começam as aulas.

setembro 13, 2007

Um comentário de Rui Baptista retirado do De rerum natura:

"Numa réstia de esperança de vergonha nacional por parte dos seus responsáveis, aqui deixo, extraído do “Portal das Curiosidades”, as 4 Fases do Ensino em Portugal (entretanto, tremamos como varas verdes pelo que ainda possa vir a acontecer numa 5.ª fase):
- 1ª fase (antes de 1974) : O aluno ao matricular-se ficava automaticamente chumbado. Teria de provar o contrário ao professor.
- 2ª fase (até 1992) : O aluno ao matricular-se arriscava-se a passar.
- 3ª fase (actual) : O aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano, salvo casos muito excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de incluir no processo, obrigatoriamente um “curriculum vitae” extremamente detalhado do aluno e nalguns casos da própria família.
- 4ª fase ( em vigor a partir de 2007) : O professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado é o próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco quase certo de chumbar… "
11 de Setembro de 2007 17:28

setembro 12, 2007

Eu ainda não sabia bem quais os objectivos do estatuto da carreira docente e sua regulamentação. Agora não tenho dúvidas.

setembro 07, 2007

O final de um artigo de Batista Bastos :


"José Sócrates pode ser um guloso de tecnologia, um amante desvairado de cibernética, um "animal feroz", como se definiu numa preguiçosa e insensata entrevista ao Expresso. O que José Sócrates não é, sabemo-lo todos - e todos os dias: nem socialista, nem grande político nem grande primeiro-ministro."

«DN» de 5 de Setembro de 2007

setembro 05, 2007

Um mês de férias como eu gosto implica um corte total com os outros onze meses. E este ano foi isso e até teve corte conjugal. Não se vê televisão, não se lêem jornais. Também o que é que acontece no mês de Agosto? Tirando, infelizmente, os incêndios e outras calamidades atmosféricas, ficam os enredos telenovelescos dos nossos políticos que ainda venho a tempo de apanhar sem perder nada da sua compreensão.

setembro 01, 2007


Tirado do blogue humor antigo ( 1943-1948 )