março 13, 2007

Ontem deitei-me mais tarde, estive a ver o House, no Fox. Gosto desta série por várias razões. Por um lado apresenta um aspecto científico curioso ( podendo ou não ser possíveis os casos relatados, não me interessa essa questão) : um trabalho de investigação, moroso, repetitivo,explorando todas as hipóteses que aparecem a que se acrescenta a certa altura a dose de inspiração, como diria Einstein, que acaba por justificar e completar o trabalho.
Depois há a irreverência do herói: é contra as regras, diz e faz o que pensa sem se preocupar com as consequências. E há ainda the last but not the least , o Hugh Laurie, esse excitante e apetecível objecto de desejo.

março 08, 2007

( Willy Ronis )


Se eu pudesse generalizar a partir do meu pequeno mundo diria que já não faz sentido falar em dia mundial da mulher. Mas apesar de muita coisa estar diferente a questão mantém-se: somos diferentes, não queremos ser iguais mas não queremos ser discriminadas por sermos diferentes. Faz falta um espaço actual de reflexão sobre assuntos feministas que não se limite a uns artigos de opinião, esporádicos e monótonos nos jornais, levantando as mesmas questões de sempre.

março 06, 2007

O mais importante na vida

O mais importante na vida
É ser-se criador – criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.


António Botto (1897-1959)

março 01, 2007

Plantas

Os meus conhecimentos sobre as plantas resumiam-se ao que aprendi -pouco - na disciplina de Botânica no liceu.Nunca mais me preocupei verdadeiramente com o assunto até ao dia em que fui dar aulas e me calhou ter que ensinar Ciências da Natureza. descobri, então, um livro que achei espantoso e que, de vez em quando ainda leio : "A prodigiosa aventura das plantas" de Jean-Marie Pelt e Jean-Pierre Cuny.
Diz um dos autores na apresentação que os animais nos apaixonam porque estão próximos de nós e reconhecemo-nos neles. "Mas as plantas, imóveis, silenciosas, em que é que se parecem connosco?" E é assim numa linguagem simples que nos falam da epopeia da evolução das plantas, levando-nos a reconhecer aí também a nossa história.

fevereiro 25, 2007

Quem diria que o agradável cheiro da erva cortada é, na realidade, um sinal de alarme que a erva está a transmitir às companheiras . Mal é cortada começa a sintetizar ácido jasmónico - uma molécula volátil que ao ser captada pelas outras plantas implica que estas comecem a produzir alcaloides tóxicos para os animais. As plantas não têm cérebro mas conseguem comunicar umas com as outras quimicamente. Mostram capacidade de perceber o mundo, tirar dele informação, receber e transmitir sinais, tomar decisões que contribuem para a sua sobrevivência. Não é esta a definição de inteligência?

fevereiro 24, 2007

Zeca Afonso


"Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão é um homem comprometido. Não é o produto saído desse cantor que define o compromisso mas o conjunto de circunstâncias que o envolve com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele canta."Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta."" Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for."

fevereiro 21, 2007

Não gosto de livros de contos, excepto de fadas.Mas estou a ler um de que estou a gostar. São histórias bem bizarras. De uma americana- Flannery O'Connor (1925-1964).Um dos contos deu o título à edição da Cavalo de Ferro :Um bom homem é difícil de encontrar.Porque é que este livro me fará lembrar os quadros de Hopper?

fevereiro 20, 2007

Depois da semana pré tivemos a semana pós-referendo. Multiplicaram-se as análises explicativas dos valores do não, do sim e da abstenção. Descobriu-se a divisão do país perante esta "fracturante" questão, identificaram-se os ganhadores e os perdedores. Alguns concluiram brilhantemente que o não ganhou porque a abstenção quis dizer não e apressaram-se a somar os dois valores, outros recomendaram que a nova lei tivesse em consideração todos estes aspectos. Outros ainda - que mais podiam fazer?- agarram-se às moderníssimas leis europeias e desejam que seja instituída uma comissão de aconselhamento multidisciplinar, não é o mesmo que uma consulta, onde a mulher será dissuadida de abortar pesando os apoios que o estado lhe vai dar se desistir. E há ainda a inspirada prosa de J.C. das Neves no DN:
"O aborto a pedido e pago pelo SNS assolará sobretudo as classes mais pobres, onde a tentação será mais forte. Paradoxalmente, como noutros países, isso minará a base eleitoral dos partidos de Esquerda".
Realmente estamos no Carnaval.

fevereiro 15, 2007

É a China.

Na escola aprendem-se algumas verdades. Por exemplo:De um modo geral em qualquer país a população feminina é ligeiramente superior a 50% em períodos normais.
Há dias reparei no que se está a passar na China em termos demográficos: a fecundidade chinesa caíu de 5,7 crianças por mulher em 1970 para 1,8 hoje. Em 2030, um chinês em cada 6 terá mais de 65 anos. A população é cada vez mais masculina e as mulheres representam menos de metade da população- 49%. Esta tendência que tem vindo a manifestar-se desde há vinte anos, resulta de uma proporção anormal de rapazes à nascença e uma sobremortalidade de raparigas entre o nascimento e o primeiro ano de vida. Devido à limitação de número de filhos por casal ( um ou dois) , à preferência por filhos varões, às despesas de custo de vida e saúde - que são pagas pelos utentes - ao fraco estatuto das mulheres, os casais acabam por praticar o aborto selectivo a principal causa desta diminuição de raparigas. Por outro lado cada ano morrem 70000 a 80000 raparigas antes do primeiro aniversário, pois mais facilmente se deixa adoecer e morrer uma menina do que um rapaz.Não estão para ter despesas com quem não tem valor social.
Daqui a pouco vão ter que comprar mulheres se quiserem constituir família...

fevereiro 04, 2007

Sim

Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
Como diz Rui Tavares no Público de sábado é "uma pergunta directa para uma resposta honesta".