outubro 07, 2006


Acabei de ler "O Deserto dos Tártaros" de Dino Buzzati (1906-1972). Fiquei impressionada, até me apetece chorar.
Conta a história de Drogo,jovem militar cheio de sonhos, destacado numa irreal e esquecida fortaleza, durante anos,à espera do seu momento de glória que será o confronto com o inimigo. Esse objectivo só será concretizado para alguns. Para dar sentido à inutilidade das suas vidas vão acreditando que um dia, do misterioso deserto, chegarão os Tártaros. É bem verdade que ao longo da vida poderia ter feito outras opções mas vai preferindo a rotina e o conhecido, distanciando-se da realidade e do receio de situações novas. Já no fim, quando abandona a fortaleza, doente e velho,chega o exército inimigo mas apesar de excluído dessa batalha ainda parece haver uma esperança para ele: a luta pela vida.

" A pouco e pouco a sua fé ia esmorecendo. É difícil crer numa coisa quando estamos sós e não podemos falar disso com ninguém. Foi justamente nesses dias que Drogo se apercebeu de como os homens, por muito que se estimem, permanecem sempre distantes; de que se alguém sofre, o sofrimento é unicamente seu, ninguém pode chamar a si uma pequena parte dele; de que se alguém sofre, lá por isso os outros não sentem nenhuma dor, mesmo que o amor que os une seja grande; e isso é a causa da solidão da vida."

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